Editorial

Dias estranhos...

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02 / novembro, 2011

Editorial da Revista MOTOCICLISMO Edição nº 247 de Novembro 2011

 

 

 Nos trinta dias que passaram entre o fecho da edição de Outubro e esta que agora lêem, vários acontecimentos no nosso desporto preferido fizeram-nos alternar entre estados de espírito radicalmente diversos.
Começámos pelo espanto, tanto pela notícia da saída de Miguel Oliveira da sua equipa no Mundial de 125 cc, como pelos comunicados contraditórios que se seguiram, e que em nada abonam para o começo de carreira mundialista do nosso “puto-maravilha”, mas que, temos esperança, não o impedirão de continuar a perseguir os seus objectivos em 2012 e a dar-nos muitos bons momentos.

Depois veio a alegria e orgulho, com o merecido título Mundial de Todo-o-Terreno assegurado por Hélder Rodrigues no Rali dos Faraós – sendo, pouco depois, se provas ainda faltassem do valor do “Estrelinha”, seguido de um triunfo categórico do português no Rali de Marrocos, onde cilindrou a elite do TT mundial que ali treinava para o próximo Dakar. Quem segue a carreira de Hélder Rodrigues, não pode ficar demasiado surpreendido com a sua ascensão ao Olimpo do TT.

O piloto de Almargem do Bispo é um profissional como poucos. Nós, que o seguimos em muitas provas, podemos atestar que é exigente e minucioso ao ponto de se tornar irritante. Mas quem é que lhe pode negar a vontade de seguir o caminho que pretende, se a verdade é que esse caminho o tem levado a somar sucesso atrás de sucesso? Qual é o segredo para uma estrutura “Made in Portugal” chegar tão longe? Pois, talento, está claro, mas especialmente trabalho, muito trabalho, muitos dias debruçado sobre pormenores que fazem a diferença. O Hélder conseguiu chegar ao topo, mas, mais do que isso, conseguiu-o à sua maneira. Parabéns, e venha o Dakar!

No fim do mês veio a tristeza. Na véspera de enviar a revista para a gráfica, a manhã em que seguíamos o G.P. da Malásia amanheceu cinzenta com as primeiras chuvas, já íamos nós, como diz um amigo meu, no dia 84 de Agosto. E tudo desabou, ao assistirmos em directo à morte de Marco Simoncelli.

Daijiro Katoh, Craig Jones, e agora o “SuperSic”… Os meus heróis morrem novos. Isto depois da minha anterior geração de super-heróis (Schwantz, Spencer, Cadalora, Gardner, Mamola, Lawson…) ter sobrevivido às indomáveis 500 cc…

 

Luis Carlos Sousa
Director

 

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