Editorial

O ano de todos os perigos

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03 / janeiro, 2012

Editorial da Revista MOTOCICLISMO Edição nº 249 de Janeiro 2012

 

 

O ano de todos os perigos

 

Bem-vindos a 2012, o ano de todos os perigos.

Falando apenas como motociclista e para os motociclistas, temos pela frente o ano em que até as 125 cc passaram a pagar imposto sobre veículos (ISV) e imposto único de circulação (IUC). No caso do ISV, temos cilindradas em que o aumento é verdadeiramente escandaloso. A isto se somam, é claro, todos os restantes ataques cerrados aos nossos bolsos, os que estão em vigor e os que se avizinham.


Mas, dentro do contexto que referimos abaixo, isto nem chega a ser tão grave. Pois este é também o ano – e já desde o passado dia 8 de Dezembro – em que terminou de vez o conceito de SCUT (sem custos para o utilizador), com os utentes a serem confrontados com a opção do “paga e não bufa” ou, numa população empobrecida que, cada vez mais, conta os tostões, remetidos para alternativas que não o são verdadeiramente, de Norte a Sul do País.

Quando, por exemplo, se tem a cara-de-pau de assumir uma quase “rua”, com um desfilar de rotundas e perigos a saltarem de todos os quadrantes, como é a EN125, como alternativa à A22, é caso para perguntar: quem vai assumir as responsabilidades pelas mortes na estrada cujo número, estamos seguros, vai aumentar de forma drástica este ano, por força de remeterem quem não pode pagar para estas armadilhas?

E não me lixem com a teoria do utilizador-pagador. Primeiro, porque as SCUT já eram pagas com os nossos impostos, e depois porque existem inúmeros exemplos onde continua a vigorar o padrão do “pagador-que-não-é-utilizador”. As vidas que se vão perder valem, para os nossos governantes, menos que as exigências do casal Merkozy.

Da segurança rodoviária não ouvimos mais falar, abafada pela necessidade de ir buscar dinheiro debaixo das pedras. E estejam certos de que, quando os números da sinistralidade rodoviária naquelas “alternativas” se tornarem alarmantes, as entidades oficiais vão atirar com as responsabilidades para cima de todos os factores, mas irão, convenientemente, esquecer-se de dizer de quem é a mão que puxou o gatilho.

 

Luís Carlos Sousa
DIRECTOR

 

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